quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

APÓS 200 ANOS, A POLÍCIA MILITAR TEM UMA ÁRDUA MISSÃO

No dia 19/10/2010 foi publicado uma matéria no G1.globo.com, que retratava, no universo de várias matérias deste tema, sobre o currículo de um falso militar que foi flagrado trabalhando nos quadros da PM do Rio de Janeiro. Leiam abaixo:

"Currículo de Falso Militar indica que ele trabalhou na Guarda Presidencial"
Exército, que responde pela Guarda Presidencial, nega.
Secretário de Segurança determinou recadastramento de 500 funcionários.

A polícia investiga se a admissão de um falso tenente-coronel do Exército foi autorizada por um integrante da cúpula da Secretaria de Segurança Pública. No currículo que o servidor Carlos da Cruz Sampaio Júnior apresentou à Secretaria consta que ele teria trabalhado até na guarda presidencial, em Brasília. O responsável pela admissão do falso militar pode ser exonerado do cargo.
O Exército, que responde pela guarda presidencial, informou que Carlos Sampaio nunca fez parte da equipe de segurança.
O servidor foi preso na sexta-feira (15) e vai responder por falsidade ideológica e porte ilegal de arma. Ele foi descoberto quando começou a trabalhar na Subsecretaria de Planejamento e Integração Operacional, há três meses. Por costume do órgão, sua vida profissional começou a ser investigada pelo departamento de Recursos Humanos e descobriram que ele não era do Exército.

Esta matéria é muito importante e acima de tudo, muito preocupante. Como Gestor em Segurança Pública, não consigo entender como fatos deste tipo podem ocorrer dentro das nossas corporações militar, mesmo se fosse um agente de inteligência trabalhando pelo bem da corporação, o setor de contrainformação já deveria estar à frente, eliminando qualquer possibilidade de descoberta do agente, mas como não existe comprovação, é apenas uma hipótese, vou trabalhar com a teoria da "loucura" do falso Coronel em ser Policial Militar, apresentado na mídia e escrever sobre a falha no sistema de inteligência e de todo sitema Administrativo e Operacional da PM. 
O Estado, conforme a nossa Constituição Federal é o garantidor da Segurança de cada cidadão e tem obrigação de servir bem a nossa população. Para isso precisa ter um efetivo bem recrutado, treinado e capacitado, possuindo instruções de inteligência, técnicas operacionais e outros temas, que são abordados nos cursos de formação e capacitação. Estas informações, a rotina de atuação da corporação além de dados nos sistemas de computação devem ser de conhecimento apenas dos integrantes da instituição e quando este conhecimento é dominado pelos inimigos, fica muito fácil de ser eliminado pelas forças adversárias, levando os agentes a atuações previsíveis, menos eficazes e com maior risco para todos.

Outra matéria preocupante, foi pública no G1.com.br no dia 07/12/2010 e no Site Terra Notícias.
 "Policial que abrigava traficante do Alemão é indiciado, diz Delegado."

Traficante Edson Ventapane da Silva, o Mãozinha, foragido da quadrilha que dominava o Complexo do Alemão, foi preso no dia 06/12/10, na casa de um Cabo da Policia Militar, em Cavalcanti, na Zona Norte, que é lotado no Gabinete do Comando Geral da corporação, Coronel Mário Sérgio Duarte.
Segundo o Delegado Marcelo Martins da DRF do Rio de Janeiro, o PM responderá por favorecimento pessoal.

Este talvez seja o maior problema da corporação, pois está associado a falta de valores do policial envolvido, já que este bandido, seria um assassino de policiais, além da falta de amor a sua instituição e da falta de preocupação e comprometimento com a justiça, população e com seus pares.
Espero que as autoridades de Segurança Pública, possam mudar este quadro, pois este é um trabalho muito importante para nossa sociedade e principalmente em nossa cidade que será palco de grandes eventos internacionais. Que Deus nos ajude. 

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

CORONEL PAÚL, ESCREVE EM SEU BLOG, SOBRE A INVASÃO DO ALEMÃO

Leiam o que ele escreveu, caso queiram acesse o link abaixo:

http://bandapodrepolicias.blogspot.com/2010/12/020-regra-e-clara-prender-nao-e-preciso.html

"quarta-feira, 1 de dezembro de 2010


( 020 ) A REGRA É CLARA, PRENDER NÃO É PRECISO.

Baseado em fatos reais, vertiginosas ficções.
Invadiram o Complexo do Alemão, antes fizeram um cerco nunca visto no Rio, com a participação da Polícia Militar, da Polícia Civil, da Polícia Federal e das Forças Armadas.
A invasão contou com o apoio aéreo (helicópteros) e em terra os blindados abriam caminho derrubando todas as barreiras, não impedia o avanço da tropa.
Em casa, sentado em frente ao televisor, o povo aguardava pelo confronto final, o sangue desceria as ladeiras e dezenas de traficantes seriam mortos, mais uma vez, como ocorreu na última invasão do Complexo do Alemão, isso em 2007.
Todos esperavam uma luta encarniçada tendo em vista que para o atendimento dos seus projetos políticos, tanto o governo federal, quanto o estadual, resolveram deixar o Alemão em paz, para que as obras do PAC pudessem gerar os desejados votos.
O prenúncio era de que o filme Tropa de Elite seria exibido "ao vivo" para o mundo todo.
Antes da invasão tivemos o comandante geral da Polícia Militar dando um ultimato em rede nacional, que não foi obedecido.
A invasão começa e como se tudo não passasse de uma grande ficção, uma vertiginosa ficção, os combates não apresentam a intensidade esperada.
A poeira desce e os seiscentos traficantes de drogas não são presos, a quase totalidade desaparece como em um passe de mágica.
Ninguém sabe, ninguém viu.
Dizem que fugiram pelo esgoto como ratos ou que pegaram uma carona nos "caveirões", outros afirmam que continuam na comunidade.
O certo é que os números são tímidos, pó é uma poeira e a "banda podre" comemora a Serra Pelada do Rio de Janeiro.
Tudo pode ser verdade, tudo pode ser mentira.
No Tropa de Elite 3, os bandidos conseguem fugir com suas armas de guerra e o "Capitão Nascimento" de brincadeira fica falando abobrinhas na TV, nem ele se salvou.
O lanterninha faz uma pergunta:
- Por que avisaram tanto antes de invadir?
A regra é clara, prender não é preciso."

AS GUARDAS MUNICIPAIS EM AÇÃO PELO BRASIL

A sociedade já não pode mais perder as nossas Guardas Municipais, que a cada dia vem crescendo, se aprimorando e mostrando sua importância com atuações maravilhosas. Confirmando isso, estarei iniciando uma série de matérias mostrando as grandes atuações de nossas Guardas em todo país, buscando na mídia e através de mensagens de colegas de nossas corporações. 

Vejam estas matérias abaixo:

Matéria do R7 Notícias do dia 26/11/2010.

Guarda Municipal prende cinco homens com 800 Kg de cabos roubados
Todos os suspeitos têm passagens pela justiça e dois são menores de idade


A Guarda Civil Municipal de Santana do Parnaíba, na Grande São Paulo, prendeu cinco homens que roubavam fios de cabos telefônicos na madrugada desta sexta-feira (26). Os guardas faziam patrulhamento, quando suspeitaram de uma Kombi estacionada na avenida Jaguari, no bairro Cidade São Pedro. 

Por volta das 3h, os policiais abordaram três suspeitos dentro de uma Kombi, com 800 kg de cabos fios telefônicos. Ao lado dela havia uma tampa de aço, que cobria uma tubulação onde estavam armazenados os fios de cabos. Dentro dessa tubulação, a guarda encontrou mais dois homens no momento em que roubavam os fios. 

Os cinco presos já tem passagem pela Justiça. No bando, dois eram menores de idade. Um dos presos tem passagem pela polícia por roubo a mão armada. De acordo com a Guarda Civil de Santana do Parnaíba, o bando era uma quadrilha especializada em roubos de cabos de fios telefônicos.



Matéria publicada no R7 Notícias de 30/11/2010.

Guarda Civil apreendeu dois revólveres e produtos roubados


Dois assaltantes foram mortos durante uma troca de tiros com agentes da Guarda Civil Municipal de Cotia, no km 19 da rodovia Raposo Tavares, em Cotia, na Grande São Paulo, no final da noite de segunda-feira (29). 

Três bandidos invadiram uma casa no bairro Jardim do Engenho. Eles trancaram a família em um quarto - um casal de idosos e três filhos. Após o roubo, dois criminosos fugiram no carro da família e outro escapou em um outro carro. 

Os dois bandidos que fugiram no carro da família foram localizados pelos GCMs, no km 25 da Raposo Tavares, no sentido São Paulo. Houve perseguição por aproximadamente 8 km. No trajeto, os bandidos atingiram a viatura da guarda com três tiros, mas acabaram batendo o carro em um poste. 

Houve troca de tiros, os marginais foram baleados e levados para hospital São Jorge, onde não resistiram aos ferimentos e morreram. Dois revólveres foram apreendidos. Os guardas recuperaram um televisor, um aparelho de som e uma mochila com roupas. O caso foi registrado no 51º DP (Distrito Policial) do Butantã.


Parabéns à Guarda Civil Municipal de Santana do Parnaíba e a 
Guarda Civil Municipal de Cotia da Grande São Paulo. Que Deus continue os abençoando e guardando.

terça-feira, 30 de novembro de 2010

PREVENÇÃO DO DELITO E RESPEITO A SOCIEDADE

A PREVENÇÃO DO DELITO: Uma Forma de Respeito ao Indivíduo e a Sociedade.

            A Constituição da República Federativa do Brasil de 1988 concebeu o modelo de Estado Constitucional e Democrático de Direito. Nesse contexto, busca-se o desenvolvimento do país mediante o completo funcionamento das instituições democráticas, do exercício dos direitos civis, políticos e sociais, indispensáveis à promoção da cidadania e da dignidade da pessoa humana.
            Segundo PINSKY (2005), “[...] cidadania não é um conceito estanque, mas um conceito histórico, o que significa que seu sentido varia no tempo e no espaço. [...] ser cidadão é ter direito à vida, à liberdade, à propriedade. À igualdade perante a lei: é, em resumo, ter direitos civis. É também participar no destino da sociedade, votar, ser votado, ter direitos políticos. Os direitos civis e políticos não asseguram a democracia sem os direitos sociais, aqueles que garantem a participação do indivíduo na riqueza coletiva: o direito à educação, ao trabalho, ao salário justo, à saúde, a uma velhice tranqüila. Exercer a cidadania plena é ter direitos civis, políticos e sociais.”
            Todos estes conceitos são verdadeiros, porém, existe a necessidade do Estado de garantir estes direitos e a convivência pacífica de todos os cidadãos, de modo que o exercício dos direitos de cada um não se transforme em abuso e não ofenda, não impeça, não perturbe o exercício dos direitos dos outros.
 A garantia destes direitos, são fundamentais, porém os órgãos de controle, devido a vários fatores como falta de políticas públicas sérias, pouco investimento na qualificação do material humano e o pouco caso dos nossos governantes, que preferem buscar resultados à curto prazo, vêm atuando apenas na repressão, gerando violência, abusos e excessos.
            Os conflitos interpessoais são inerentes às relações humanas. Os conflitos são frutos das dinâmicas sociais, sejam individuais ou coletivas. A partir de conflitos a sociedade se move, se transforma, as demandas são colocadas e respondidas.
            Entretanto, se não há perspectiva de colaboração e, portanto, diálogo, esses conflitos tendem a se tornar violentos, podendo ser violência física ou psicológica. Do conflito ao confronto, um processo que poderia ser construtivo torna-se altamente destrutivo.
            Muitos destes conflitos se dão por inexistir a possibilidade de diálogo. Retomar o diálogo, fazendo com que as partes envolvidas compreendam as necessidades e limitações do outro é estratégia necessária de prevenção, para que esses conflitos não se tornem violentos ( Noronha, 2005).
            Uma das formas de se atuar contra o crime e ações violentas é trabalhando preventivamente, onde pode ser evitado ou minimizado um grande número de problemas, que atrapalham a ordem e o convívio dos cidadãos, porém o resultado deste trabalho é lento o que leva os nossos governantes a escolherem respostas mais rápidas, como compra de viaturas etc.
            Segundo Cláudio Beato, “É aspecto dramático do problema do crime no Brasil que ele venha a ser objeto da atenção de nossos governantes somente quando ultrapassa os limites estruturais às quais está tradicionalmente confinado. Quando estende-se à classe média e à zona sul, imediatamente soam os alarmes da mídia e a indignação das elites. Nesse momento as pessoas põe-se a especular a respeito das causas da criminalidade afim de combatê-la. Uma das teses, bastante recorrente, aliás, é a de como crime estaria “evidentemente” associada à pobreza e a miséria, a marginalidade dos centros urbanos e a processos migratórios.”
            Felson (1994), refere-se a esta perspectiva como a “falácia da pestilência”: “... as coisas ruins provém, de outras coisas ruins. O crime é uma má coisa, portanto, ele deve emergir de outras maldades tais como o desemprego, pobreza, crueldade e assim por diante. Além disso, a prosperidade deveria conduzir-nos a taxas mais baixas de crime”.
            A manutenção da ordem se dá mediante a presença visível do Estado e não refere-se Exclusivamente aos delitos criminais, que constituem menos de 15% do que é efetivamente realizado pelo policiamento ostensivo, mas a atividade de pacificação, mediações de conflitos, inclusive em âmbitos domésticos, patrulhamento e, em volume significativo, atividades assistenciais ( Banton, 1964. Muir, 1977. Fielding, 1984. Bittner, 1990).
             
KANT DE LIMA (2004), cita que ”Neste contexto, é relevante explicitar como nossa cultura jurídica justifica a desigualdade jurídica existente no sistema de justiça criminal, exemplificada pelos institutos dos fóruns especiais e privilegiados, pelos diferentes tipos de imunidade e pela prisão especial para várias categorias profissionais, inclusive para os detentores de instrução superior. Os operadores deste sistema, responsável pela garantia da liberdade de ir e vir, direito civil básico dos cidadãos de uma República, utilizam argumentação diametralmente oposta àquela presente nos textos que se referem à constituição da cidadania e do Estado de Direito no mundo capitalista:...”
Existem muitas falhas neste sistema, que em alguns casos, são atrapalhados por interesses políticos e pessoais, gerando desrespeito ao cidadão e descrédito para as instituições e principalmente para o Estado, porém podemos ser mais eficaz se trabalharmos preventivamente.
           

sábado, 27 de novembro de 2010

UMA MATÉRIA COM A VISÃO DE UM REPÓRTER DE VERDADE

sexta-feira, 26 de novembro de 2010


O atestado de óbito de uma política de segurança baseada na criminalização das comunidades pobres

“Isso é uma guerra. É uma guerra e guerra tem de ser enfrentada como guerra. Direitos humanos devem ser respeitados sempre, é nossa filosofia, Mas isso é uma guerra”.
Sérgio Cabral, 11 de novembro de 2007.

Quase 20 ônibus foram incendiados nos últimos dias nessa onda de ataques
Como no filme TROPA DE ELITE 2 (obra prima do cinema nacional que você não pode deixar de ver) essa interminável sequência de desafiadores ataques criminosos, responsáveis por um clima de pavor generalizado no Estado do Rio de Janeiro, é, antes de mais nada, o atestado de óbito da política de segurança do governador Sérgio Cabral, que engabelou muitos cidadãos ingênuos com a idéia de que assegurava proteção aos burgos com a ocupação policial de algumas favelas, enquanto bancava a tática dos confrontos e o patrocínio da maior matança de jovens das comunidades pobres.
Essa política parte do princípio de que a um cidadão apavorado serve-se o cardápio da SENSAÇÃO de segurança como calmante para seus nervos à flor da pele. A violência urbana pode continuar em alta, mas a notificação da presença policial em algumas comunidades pobres e criminalizadas, numa declarada disputa de territórios, sugere o bloqueio de redutos e a imobilização do “poder paralelo”, com a consequente redução da criminalidade.
A essa cortina de fumaça adiciona-se o espetáculo da matança em pencas, como aconteceu no Complexo do Alemão, em 2007 (convém ler o Relatório do Comissário da ONU, Philip Alston, sobre Execuções Extrajudiciais, Sumárias ou Arbitrárias no Rio de Janeiro) e a sucessão de massacres na favela da Coréia, em Senador Camará.
Marginais mostram sua força
Fosse real e consistente o método usado para dourar essa míope e desastrada “política de segurança”, isso que está acontecendo agora, no portal do período natalino, não poderia ter chegado ao ponto que chegou. O governo estadual, com todo o apoio do federal, teria “cortado as linhas inimigas”, reduzindo o seu poder de fogo e instalando feixes de proteção sobre os bairros do asfalto.
No entanto, temos neste momento uma população acuada, atacada por todos os flancos e exigindo que se faça qualquer coisa, que se mate qualquer suspeito, enquanto um sistema policial desmoralizado e em pandarecos pede ajuda pelo amor de Deus às Forças Armadas, que, pela primeira vez, fugindo à sua finalidade constitucional, põem seus tanques em favelas planas e oferece o escopo de uma guerra efetiva contra focos da delinquência selecionados no palpite, que permaneceriam intocados se as cidades da região metropolitana não tivessem sido atacadas em insólitas ações incendiárias.
É claro que estamos num momento de grande comoção, com a virtual paralisação das atividades nas urbes afetadas e a disseminação de um sentimento de impotência e revolta entre os cidadãos. O que todos querem de cara, enfatizo, é ver o fim imediato dessa beligerância e a punição sumária dos responsáveis por esse estado de choque que afeta a quase todo mundo.
E é provável que as forças da repressão ofereçam as cabeças cortadas de centenas de suspeitos, em atos compensatórios que serão aplaudidos freneticamente.
Por que negaram educação de verdade aos pobres
Mas nada disso representará o restabelecimento do mínimo de segurança da população. Se o ódio de classe e a hegemonia das elites racistas e excludentes não tivessem triunfado sobre a estratégia de Leonel Brizola e Darcy Ribeiro, se desde aquele 1983 os governos tivessem investido em massa nos CIEPs, as escolas de tempo integral, oferecendo carinho e conhecimento aos meninos pobres, se as áreas marginalizadas das cidades não fossem vistas apenas como “santuários do crime” e currais eleitorais de políticos canalhas, certamente não teríamos chegado a esse ambiente de guerra de desdobramentos imprevisíveis.
Ao contrário, a visão lúcida de Brizola foi usada contra ele com a chancela de uma mídia entre empresarial e superficial, mídia que exibe diariamente pela televisão centenas de mortes em filmes que glamorizam o crime.
Prevaleceu a política da matança “exemplar”, com incursões programadas nas áreas onde moram milhares de trabalhadores que não podem pagar o alto custo da habitação num país em que os bancos controlam o sistema imobiliário e remetem quem ganha pouco para os barracões dos morros e da beira-rio.
Sérgio Cabral transformou a suposta defesa dos cidadãos pacatos numa guerra declarada de disputa de territórios. Num mata-mata que vitimou também muitos policiais e confinou a responsabilidade da segurança nos limites bélicos, envernizados pelas tinturas do ódio de classe: vencerá quem tiver mais bala na agulha, quem dominar mais territórios nos morros e nas zonas proletárias.
A farsa da ocupação de algumas favelas
Cabral investiu nas vitrines pontuais e tentou fazer acreditar que estava semeando proteção aos cidadãos com as suas UPPs. A bem verdade, seu abre-alas é uma farsa picaresca. Refiro-me, sim, ao espetáculo das festejadas unidades de polícia pacificadora.
Pelo noticiário de uma mídia que morre de medo do morro, esses grupos policiais teriam livrado doze comunidades do domínio do tráfico. O que aconteceu, de fato, foi uma espécie de acordo virtual: a “rapaziada” trocou a exibição de seu armamento pelo “sapatinho” e continuou vendendo seus tóxicos. Nenhum “chefão” dessas áreas ocupadas foi preso. Aliás, quase ninguém saiu de circulação – apenas caiu na clandestinidade consentida.
Mas a meninada sem atenção familiar adequada, em número cada vez maior,  continuou tendo onde pegar sua droga. Até o “delivery” e as vendas pela internet foram implantados com sucesso. Em suma, se o objetivo fosse fechar o mercado, tal não aconteceu.
Veja um exemplo: na terça-feira passada, policiais da delegacia da Taquara prenderam 11 integrantes de uma quadrilha de 21 traficantes, que enviavam drogas da Cidade de Deus (segunda comunidade “pacificada”) para o complexo do Alemão. Todos os presos moravam e operavam no antigo conjunto favelizado de Jacarepaguá.
Mesmo que tivesse cessado o comércio de drogas nas áreas ocupadas pela polícia, isso não produziu nenhum efeito real sobre a cidade: os criminosos continuaram praticando seus assaltos, matando e levando pânico, principalmente nas grandes vias de acesso e na adoção de práticas novas, como o sequestro do cidadão para suas próprias casas, onde fazem a limpa e saem levando um refém até escaparem em direção aos seus redutos: no caso de Jacarepaguá, onde esse tipo de assalto prolifera, os bandidos fazem questão de informar que são da Cidade de Deus.
A matança dos jovens das favelas não reduziu a criminalidade
Para reforçar mais essa SENSAÇÃO de segurança, o governador Sérgio Cabral deu continuidade com maior ênfase à matança de jovens dessas áreas, sempre com o registro de “auto de resistência”.
Com isso, o Rio de Janeiro galgou um patamar olímpico: a polícia fluminense mata por ano mais pessoas em “confrontos” do que todas as 21 mil corporações dos Estados Unidos, segundo revelação do Centro de Estudos de Segurança e Cidadania.
No governo de Sérgio Cabral, a polícia radicalizou: já entra nas favelas atirando no primeiro suspeito. Isso representou um aumento de 30% de jovens e adolescentes mortos nas comunidades pobres em relação a 2006.
Se compararmos com oito anos atrás, a diferença é brutal: os dados oficiais do Instituto de Segurança Pública registraram 1.186 mortos em “autos de resistência” de janeiro a dezembro de 2007. Em 1999, as mortes nessa rubrica foram de 299 jovens e adolescentes.
Sob Cabral, patrocinador da "política de enfrentamento", foi atingida a marca de 147 mortes praticadas por policiais em um mês, quase cinco por dia. Isso ocorreu seguidamente em abril e maio de 2008. Foi o ápice dos autos. Segundo pesquisa do IPEA, encomendada pela Assembléia Legislativa, em 2008 a polícia do Rio prendeu 23 pessoas para cada morte em autos de resistência. Em São Paulo, foram 348 prisões para cada morte. Nos Estados Unidos, essa média é de 37 mil prisões para cada caso de resistência seguida de morte.
Essa política de extermínio não reduziu a criminalidade. Para cada suspeito morto, há três na fila desse emnprego macabro.
Sem essa de perda de território
Não é apenas essa sequência de assassinatos perpetrado pelos agentes da Lei que levou a essa reação dos bandidos. Nem também “a perda de territórios”, como alega Cabral. De fato, neste caso, as grandes favelas permanecem fora da planilha: Rocinha, Complexo do Alemão, Jacarezinho, Manguinhos, Complexo da Penha, Vila Vintém, Rebu, entre outros não estão nos planos de ocupação, pelo menos por agora.
Nessas áreas, a polícia prefere as incursões ocasionais de extermínio. O populoso Complexo da Maré, ao longo da Avenida Brasil, ganhou até um Batalhão, que fica de frente para a Linha Vermelha: e, no entanto, nada mudou, ou mudou para pior: há uma semana, policiais da Ilha do Governador trocaram tiros com quatro PMs da Maré, que estavam num carro roubado. E a Linha Vermelha conrinua sendo uma das mais vulneráveis vias de risco.
Tudo isso tem a ver com uma espécie de “radicalização de hábitos” dos criminosos e também com a revolta diante da transferência de seus parceiros para presídios federais distantes, sem o respeito à Lei das Execuções Penais (por conta de um acordo extra-judicial do governo do Estado com o Tribunal de Justiça).
Sob certo aspecto, tocar fogo num carro estacionado, incendiar um ônibus dessas empresas que mandam e desmandam na Prefeitura, prestando péssimos serviços à população, é uma variável de viés político. O governador proclamou o combate ao crime como uma guerra – os bandidos pegaram a deixa e partiram para a sua própria “guerra de guerrilha”, onde exibem uma alarmante onipresença, deixando todo mundo sem saber onde há um porto seguro.
Daqui para frente, enquanto tiverem pessoal disponível, os marginais vão causar pesados prejuízos às cidades fluminenses, que dependem agora da mão forte das forças federais. A polícia do Estado perdeu essa guerra, até porque nunca teve esse combate sob uma ótica decente – todo mundo sabe que é difícil encontrar um policial  realmente disposto a ser um “capitão Nascimento”.
Espero que você não ache que estou escrevendo para justificar essa onda assustadora de ataques a carros e ônibus, que levou O GLOBO a dedicar hoje todo um caderno especial ao assunto. E que fez esse mesmo jornal comparar a participação de alguns tanques dos Fuzileiros Navais ao desembarque que mobilizou 3 milhões de soldados dos Estados Unidos, Inglaterra e Canadá na Normandia, naquele  decisivo 6 de julho de 1944, durante a II Guerra Mundial.
Apavorado, qualquer um perde a tranquilidade e a capacidade de raciocinar. Mas se você ainda tem condição de pensar, ponha-se no seu próprio lugar e recorra aos seus conhecimentos de lógica: Cabral está pagando por sua miopia, por sua incompetência, por sua vocação elitista. Cidades estão paralisadas e nossa sorte depende agora de uma intervenção federal de fato, a mesma que o agora deputado eleito pelo PDT, Sérgio Zveiter, queria, quando presidente da OAB, para afastar Brizola do governo do Estado, na década de 90.
Esta matéria foi extraída do Blog Porfírio Livre, após um e-mail que recebí dele. Estou muito feliz de na atualidade, com vários "especialistas" fazendo comentários ridículos, com viés políticos ou em ato de estrelismo ou mesmo, movidos por emoção, poder ler uma matéria com tanta lucidez e responsabilidade, como esta. A nossa população, tão sofrida e enganada, aplaude a ação desesperada das forças culpadas por este estado de guerra, pois não podem mais andar na cidade, mais bela do país e também a mais vendida para o narcotráfico como a nossa, com bocas de fumo e traficantes atuando a anos ao lado dos Batalhôes e Delegacias.
Que após estes dias não só os traficantes fiquem presos, mas também todos os Comandantes e comandados envolvidos direta ou indiretamente, na venda destes territórios, que sejam encarceirados, pois também vivem a margem da lei.
Que Deus nos ajude!

GUARDA MUNICIPAL DESARMADA

Crise na cidade do Rio de Janeiro. Guarda Municipal desarmada: Será que não é o momento de rediscutir o papel do governo local nas ações de segurança ?

Autor: Marcos Bazzana Delgado
Inspetor da Guarda Civil Metropolitana de São Paulo
Especialista em Segurança Pública


Sem desmerecer qualquer tipo de atuação das Guardas Municipais, até porque todas elas são louváveis e promovem a segurança urbana de uma forma ou de outra, penso que é preciso analisar os resultados advindos do fato da Guarda Civil Metropolitana da cidade de São Paulo trabalhar armada e, em razão disso, possuir maior potencial para enfrentar a criminalidade, atuando principalmente em casos de flagrante delito, enquanto que a da cidade do Rio de Janeiro atua sem arma de fogo, ao mesmo tempo em que a criminalidade naquela região aumenta de forma desenfreada.

O Rio de Janeiro está passando por mais uma crise de ataques de grupos criminosos, com escalas de violência nunca antes vista no Estado brasileiro.


Cremos que parte da culpa desta desordem é resultante da ausência de posturas municipais eficientes e também da limitação do poder de atuação da Guarda Municipal, dentro do contexto da segurança pública, no dever de proteger pessoas e preservar a ordem.


Para fazer uma comparação, analisemos a cidade de São Paulo que excede a quantidade de habitantes do Rio de Janeiro, com uma população girando em torno de 12.000.000, mas que mantém uma Guarda Municipal armada, com um efetivo de aproximadamente 6.500 agentes.

Com a soma de esforços nas ações conjuntas da Polícia Civil, Polícia Militar e Guarda Municipal, os índices de criminalidade em São Paulo vêm sofrendo quedas que são constantemente noticiadas na imprensa.

Já na cidade do Rio de Janeiro, que tem em torno de 7.000.000 de habitantes, onde a Guarda Municipal tem número aproximado de integrantes da Guarda de São Paulo, ou seja, pouco mais de 5.500 agentes, os índices de criminalidade só aumentam. Dadas as proporções, a Guarda Municipal do Rio de Janeiro teria, em tese, mais agentes para proteger os habitantes do que a de São Paulo.

Quem teve o privilégio de assistir ao filme “Tropa de Elite 2”, onde a ficção retratou boa parte da realidade, ao ouvir a fala do Coronel Nascimento quanto ao destino que merecia ser dado à Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro, deveria se por a pensar sobre como poderia ser provida a Segurança Pública a partir daquele ponto, caso a proposta de extinção feita pelo personagem fosse levada a efeito.

Nesse filme, que também traduz um pouco da realidade, o mal em questão já havia se instalado no único órgão de segurança que o Estado dispõe para fazer valer a lei. Ali, o monopólio dos meios de prestação do serviço de segurança pública preventiva, passou a significar a indisponibilidade do Estado em se socorrer de outra via. O monopólio deu margem para a acomodação que, aos poucos, foi se transformando em corrupção.

A existência de dois ou mais órgãos voltados para a mesma atividade motiva a “concorrência” por melhores resultados e demonstração de capacidade. Quem sai ganhando com isso é o povo.

A Polícia Militar do Estado de São Paulo percebeu que poderia sucumbir ao crescimento das Guardas Municipais armadas, por esse motivo, reviu seus conceitos, buscou a qualidade, e aprimorou sua atuação.

E pensando em soluções para a Segurança Pública, por que não pensar em rediscutir o papel daquele município fragilizado nesse cenário, considerando uma maior participação da Guarda Municipal carioca nas ações de Segurança Pública?

Para isso, é preciso enxergar o quanto as Guardas Municipais que portam arma de fogo contribuem para a redução da violência e da criminalidade, e com isso, avaliar se não é o momento de aproveitar aqueles 5.500 agentes já treinados para que, com o armamento

adequado, passem a integrar as ações de enfrentamento do principal mal que tem assolado a “Cidade Maravilhosa”.

Será que tudo isso se resolve antes de acontecer a Copa do Mundo, ou quem sabe, antes das Olimpíadas?

Apesar do Rio de Janeiro hoje ser a referência negativa, lembremos que, embora em situação suposta e relativamente confortável, seria prudente que todas as demais cidades dedicassem parte de seus esforços no fortalecimento das Guardas Municipais, e na criação das que ainda não foram instituídas, para que a população e o Estado jamais fiquem refém do monopólio e da acomodação de alguns intitulados “possuidores do exclusivo direito de proteger pessoas”.

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

CURSO SUPERIOR DE TECNOLOGIA EM SEGURANÇA PÚBLICA

Segue abaixo mensagem que recebí da SENASP, sobre o processo que está em andamento, pela melhor capacitação dos agentes de segurança pública de nosso país. Confesso que nunca ví um apoio tão grande do Governo Federal na capacitação dos operadores de segurança e acho que este é o caminho mais positivo da atualidade.


"Brasília, 19/11/10 (MJ) - A Coordenação-Geral de Análise e Desenvolvimento de Pessoal da Secretaria Nacional de Segurança Pública do Ministério da Justiça, analisa a contratação de Instituições de Ensino Superior (IES) para ministrar Curso Superior de Tecnologia em Segurança Pública.

Serão ofertadas 40 vagas para os profissionais de carreira em Segurança Pública na modalidade presencial e 300, a distância, em todo país.

O Curso Superior de Tecnologia em Segurança Pública é de oferta específica para profissionais de carreira de segurança pública, de acordo com as diretrizes previstas no Catálogo Nacional de Cursos Superiores de Tecnologia do Ministério da Educação e com a Portaria Interministerial nº 158-A, de 09/02/2010, publicada no D.O.U. 01//03/2010 e retificada no D.O.U. em 22/06/2010.
Para maiores informações do processo de credenciamento, entre no site: www.mj.gov.br/formacao ou entre em contato com CGDESP/DEPAID/SENASP/MJ por meio dos seguintes telefones: 1. (61) 2025.9629 – Andrea Passos; 2. (61) 2025.8949 – Viviane Peixoto. "